<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165</id><updated>2011-08-03T10:50:58.134-04:00</updated><title type='text'>UnB sem preconceitos</title><subtitle type='html'>Somos um grupo de estudantes do Mestrado em Ciência Política que se cansou de um cotidiano de preconceitos velados como racismo, sexismo, homofobia ou qualquer prática que atente contra a humanidade das pessoas. Quebramos o silêncio e valeu a pena!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-659813933348063389</id><published>2007-07-18T21:34:00.000-04:00</published><updated>2007-07-18T21:37:37.075-04:00</updated><title type='text'>Importante!!! Posicionamento Público do grupo sobre a decisão da UnB</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Posicionamento público do grupo de estudantes do curso de Mestrado em Ciência Política da Universidade de Brasília que denunciaram o professor Paulo Kramer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;        &lt;strong&gt;Resumo do processo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia 29 de Junho de 2007, após um ano de atividades, a Comissão de Sindicância finalmente concluiu seus trabalhos. A Comissão foi designada pelo Reitor da Universidade de Brasília – UnB, após a denúncia de um grupo de nove estudantes do Mestrado em Ciência Política contra o professor Paulo Roberto da Costa Kramer do   Instituto de Ciência Política - IPOL.&lt;br /&gt;        Melhor conhecido como /Caso Kramer, /o episódio foi marcado pelas denúncias de conduta tipificável como racista por parte do professor do IPOL, que foi acusado pelos estudantes de se referir a comunidade negra pelo termo pejorativo "crioulada". Além disso, o professor foi acusado de ter ofendido um de seus estudantes com os termos "negro racista" e "Ku Klux Klan às avessas" ou "Ku Klux Klan negra".&lt;br /&gt;        A principal acusação que pesou sobre o professor foi a de que o mesmo tenha se recusado a cessar com seu comportamento agressivo, além de ter afirmado em sala de aula que falaria "crioulada" quantas vezes lhe aprouvesse, ainda que para isto tivesse de impetrar um mandado de segurança. Tudo isto ocorreu no início do primeiro semestre letivo de 2006 do curso de Mestrado em Ciência Política da UnB, o que significa que o caso já se arrasta há bem mais que um ano.&lt;br /&gt;        A Comissão de Sindicância foi presidida pelo Professor Alexandre Bernadino, do Departamento de Direito, e composta pelos professores José Leonardo Ferreira, do Departamento de Física, e Carla Costa Teixeira, do Departamento de Antropologia. O relatório final desta comissão entendeu que o professor infringiu o artigo 20 da Lei 7.716/89 (praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional). A pena para este caso é de reclusão de um a três anos e multa. Além disso, a Comissão entendeu que a conduta do professor está em desacordo com a Lei 8.112/90, que rege a atividade dos servidores públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Neste sentido, a Comissão sugeriu pena de suspensão do servidor pelo período de trinta dias em virtude da sua falta de urbanidade dentro de sala de aula. Diante desta sugestão, o Reitor Timothy Mulholland, auxiliado pela Procuradoria da Universidade, decidiu acatar a sugestão da Comissão de Sindicância, mas optou por converter a pena administrativa em multa no valor de 50% de sua remuneração, obrigando o professor a permanecer em serviço durante o período. Os autos do processo serão encaminhados para o Ministério Público do Distrito Federal que é o órgão responsável por apurar denúncias de prática que pode ser tipificada como racista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Opinião do grupo sobre a decisão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há dúvida que estamos diante de uma vitória, esta é uma decisão histórica da UnB, pois é a primeira vez em que a comunidade acadêmica se mobiliza para investigar, julgar e punir um de seus membros por conduta que pode ser qualificada como racista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O grupo espera que este seja o primeiro passo da universidade para recuperar sua credibilidade junto à comunidade negra, status este alcançado com a aprovação do sistema de cotas para negros e negras em 2003, mas que ao longo dos últimos anos foi sendo fortemente abalado por diversas denúncias não apuradas de racismo, que culminaram com o covarde atentado contra os estudantes africanos na Casa do Estudante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Durante este último ano, principalmente no momento anterior à instalação do processo disciplinar pelo Reitor, o grupo passou por momentos muito difíceis dentro e fora da Universidade. Para muitas pessoas, pode ter sido o pior momento de suas vidas.&lt;br /&gt;Isto ocorreu porque fomos duplamente rechaçados, dentro e fora do Instituto de Ciência Política. De dentro do IPOL, vimos ser desqualificada nossa denúncia, e nos ser negada qualquer proteção institucional à nossa integridade física e moral, a partir de uma postura deliberadamente corporativista. Fora do Instituto, fomos atacados pelos setores mais reacionários da imprensa brasileira, como é o exemplo dos jornalistas Paulo Moreira Leite, Diogo Mainardi, Reynaldo Azevedo, dentre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O fato é que o tempo passou e grupo permaneceu firme nas suas posições e, a despeito dos diversos ataques, sua integridade moral permaneceu inabalável. Neste sentido, a decisão da universidade em punir o professor pelas suas atitudes dentro de      sala de aula depõe contra qualquer tentativa feita de desqualificar a ação do grupo inclusive dentro do IPOL. Para aqueles que negaram interlocução com o grupo, ou tentaram afirmar que este agiu com má fé, ou perseguiu o professor, a decisão da universidade surge em boa hora e tem o efeito de salvaguardar a ação daqueles professores que apoiaram a decisão do grupo de denunciar o caso e lutar por justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O professor Paulo Kramer e a direção do IPOL certamente deverão retirar uma lição deste processo, que a é necessidade de reconhecer seus estudantes como interlocutores capazes de discutir os limites do respeito e tolerância sob diversos pontos de vista, que vão desde a relação estudante e professor até a dimensão de gênero, classe social, orientação sexual e raça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Em nenhum momento o professor foi perseguido por seus estudantes; na verdade lhe foi oferecida toda sorte de espaços de reflexão sobre seu comportamento em sala de aula, mas o mesmo se negou a reconhecer seus estudantes como interlocutores capazes de pautar o nível de respeito que querem estar sujeitos dentro de sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O professor, pelo contrário, se recusou a dialogar com o grupo e optou por continuar nos atacando. Neste sentido, ele errou porque conseguiu fazer com que um grupo surgido do acaso e sem propósitos políticos ganhasse adesões e força política dentro e fora da universidade, já que a nossa mobilização foi respaldada de maneira      espontânea por atores políticos de diversos lugares do Brasil, além de receber apoio da maioria dos estudantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O /Caso Kramer/ também serve de aprendizado para a universidade. É preciso que se criem nas universidades ouvidorias para apurar denúncias contra , racismo, sexismo, homofobia e outras discriminações sociais.&lt;br /&gt;        A constatação é lógica: devem existir estruturas institucionais que assumam a responsabilidade da denúncia formal, investigação e punição dos culpados. É fato que a relação entre denunciante e instituição revela uma situação de hiposuficiencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Isto ocorre porque o ato de denunciar o racismo não é simples como qualquer outra denúncia, é preciso que os denunciantes estejam aptos a realizar uma verdadeira empreitada política e de busca de apelo social, como está ocorrendo neste caso. Caso contrário, as vítimas podem facilmente se transformar nos algozes, que presenciarão sua denúncia cair nas temíveis malhas burocráticas do Estado e, por conseguinte, no esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Quando se denuncia uma prática como esta que ocorreu no Instituto de Ciência Política – IPOL/UnB, e, principalmente, quando o denunciado está em um nível hierárquico superior, a tendência é que ocorra uma intensa e silenciosa mobilização para abafar o caso e expor ao máximo de constrangimento aqueles que denunciam. Isto faz com que estas práticas sejam banalizadas e caiam no uso corriqueiro do dia-dia da sala de aula, diante da impunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O resultado foi esta sanção que a mais alta esfera administrativa da universidade fez cair sobre os ombros deste professor. Passado mais de um ano após os episódios de violência contra estes estudantes, o grupo ainda continua aberto para requalificar este conflito para um novo patamar e discutir abertamente com o professor Kramer sobre a conduta que consideramos ser minimamente aceitável dentro e fora da sala de aula. Continuaremos sempre abertos ao diálogo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-659813933348063389?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/659813933348063389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=659813933348063389' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/659813933348063389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/659813933348063389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2007/07/importante-posicionamento-pblico-do.html' title='Importante!!! Posicionamento Público do grupo sobre a decisão da UnB'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-5898006376582759912</id><published>2007-07-18T21:28:00.000-04:00</published><updated>2007-07-18T21:33:23.142-04:00</updated><title type='text'>Artigo: Ofensa e Civilização</title><content type='html'>Enviado por: "Carlos Medeiros" &lt;a title="mailto:calmed64@yahoo.com.br?Subject=+Res:Kramer, de réu a vítima" href="mailto:calmed64@yahoo.com.br?Subject=+Res%3AKramer%2C%20de%20r%E9u%20a%20v%EDtima" target="_blank"&gt;calmed64@yahoo.com.br &lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sáb, 14 de Jul de 2007 2:52 pm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originalmente publicado em &lt;a href="http://www.afropress.com/"&gt;www.afropress.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofensa e civilização&lt;br /&gt;Carlos Alberto Medeiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;   O “processo civilizador”, descrito pelo sociólogo Norbert Elias no clássico que tem exatamente esse título, implica o estabelecimento de normas de conduta destinadas a “humanizar” as relações entre os seres humanos, incluindo regras protocolares e de etiqueta voltadas a reduzir as possibilidades de conflito. Produto de séculos de elaboração e refinamento, entre elas se destaca o abster-se de ofensas nas interações quotidianas, em alguns casos transformado em leis que sujeitam o infrator a penalidades variadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;   Longe de terem a inocência que lhes costuma atribuir o senso comum, epítetos, piadas e boatos podem ser utilizados, e freqüentemente o são, como instrumentos de dominação no plano simbólico, reforçando a posição dos membros do grupo no poder e, correspondentemente, rebaixando a auto-estima e a autoconfiança do(s) grupo(s) subordinado(s), como nos mostra o mesmo Elias no também clássico “Os estabelecidos e os outsiders”. No caso brasileiro, o antropólogo Antônio Sérgio Guimarães, da USP, mostrou tais mecanismos em ação ao estudar as ofensas comumente dirigidas aos negros no contexto de Salvador. Todos nós as conhecemos: “macaco”, “tição”, “tiziu”, “urubu” e muitas outras, para não falar na carga negativa de termos aparentemente neutros como “negro” e “preto”, ao mesmo tempo fruto e instrumento de séculos de rebaixamento e humilhação. Não sendo possível rebater tais ofensas com termos de igual peso em relação aos brancos – já que estes simplesmente não existem no léxico dalíngua portuguesa –, resta aos ofendidos fazerem de conta que não se incomodam, deixarem de lado a possibilidade de reação, pressionados pela percepção – não exagerada, como se tem visto – de que do contrário poderão irritar os dominadores e, de alguma forma, prejudicar-se. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;   Ou melhor, restava. Nos últimos tempos, estimulados pela adoção de novas posturas por parte de um segmento importante da sociedade brasileira, interessado em rever atitudes e comportamentos “naturalizados” em relação aos brasileiros que o antropólogo Kabengele Munanga, também da USP, chama de “negros indisfarçáveis” – ou seja, os que trazem nos traços fenotípicos a marca indelével da ancestralidade africana, independentemente da possível europeidade de seu DNA – , alguns destes têm ousado enfrentar a discriminação de que são vítimas, sem medo da reação, freqüentemente surpresa, e por vezes raivosa, dos defensores do status quo. O fato de utilizarem mecanismos juridicamente consagrados, como a legislação anti-racista, demonstra claramente o caráter pacífico e a legitimidade de suas reivindicações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;   Numa frase lapidar que demonstra o seu conhecimento da realidade racial brasileira, muitas vezes subjugado diante da necessidade de defender o modelo da “democracia racial”, o sociólogo Gilberto Freyre afirmou numa entrevista concedida em 1978, pouco antes de falecer, que “a harmonia racial da sociedade brasileira é fruto da generosidade dos negros”. Ainda que possamos discordar do termo “generosidade”, preferindo substituí-lo por “submissão”, somos forçados a concordar com a essência da frase de Freyre: não há problema enquanto os negros permanecem no “seu” lugar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;   Transformar em vítima um agressor confesso, cuja responsabilidade é magnificada pelo cargo de professor, é apenas uma forma perversa de reforçar e perpetuar os mecanismos simbólicos de dominação que ajudam a sustentar as desigualdades extremas que caracterizam nossa sociedade. Isso, porém, só seria possível se os agressores continuassem contando com a colaboração acrítica do grupo subordinado. O problema é queo mundo está mudando, e eles aparentemente não se deram conta disso. Precisam reeducar-se, por doloroso que lhes pareça. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-5898006376582759912?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/5898006376582759912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=5898006376582759912' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/5898006376582759912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/5898006376582759912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2007/07/artigo-ofensa-e-civilizao.html' title='Artigo: Ofensa e Civilização'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-1683380721376616676</id><published>2007-07-18T21:18:00.000-04:00</published><updated>2007-07-18T21:28:12.132-04:00</updated><title type='text'>A Força do Macartismo Acadêmico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Força do Macartismo Acadêmico&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=30988165#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Este artigo foi motivado diante das acusações feitas pela historiadora Isabel Lustosa, que apontou a existência de um neomacartismo racial no Brasil em virtude da punição do professor Paulo Kramer em processo administrativo da Universidade de Brasília, além de acusar os estudantes negros das universidades brasileiras de serem “negros profissionais” caracterizados com trajes supostamente africanos.&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=30988165#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[2]&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No momento em que as políticas de ação afirmativas começam a ser disseminadas para diversas universidades brasileiras, surge a necessidade de se discutir o martírio que é ser um(a) acadêmico(a) negro(a) no Brasil. A situação se complica mais ainda se o(a) estudante pesquisar a temática racial ou se interessar por algum movimento social.&lt;br /&gt;         Estamos diante de um enorme contra-senso em uma sociedade que se diz democrática e plural. É o que se pode denominar &lt;a name="OLE_LINK2"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="OLE_LINK1"&gt;m&lt;/a&gt;acartismo acadêmico, ou seja, uma perseguição que ocorre dentro e fora das universidades e é orquestrada por aqueles que consideram todos, menos eles próprios, como militantes. De posse de constatações pueris sobre a vida dos estudantes, estas pessoas iniciam uma perseguição contra estes acadêmicos afirmando que determinados estudantes não são profissionais de verdade, mas sim panfletários de determinados grupos sociais de cunho radical.&lt;br /&gt;Tamanha é a intransigência da supremacia branca no Brasil, que o professor Paulo Kramer, se esquivando em uma desvirtuada liberdade de expressão, não apenas se recusou a abandonar o uso da expressão “crioulada” em sala de aula, como afirmou que continuaria se referindo daquela forma, ainda que tivesse que impetrar um mandado de segurança para tanto.&lt;br /&gt;Diante da mobilização dos estudantes no sentido de cobrar deste professor uma postura minimamente decente dentro de sala, Paulo Kramer insistiu em promover uma empreitada de cunho racial, dentro e fora da academia, desvirtuando a denúncia oficial de metade de sua turma como se esta fosse apenas uma perseguição pessoal de um estudante negro, que nas palavras dele seria um “negro racista” ou a representação de uma “Klu Klux Klan às avessas”.&lt;br /&gt;Triste é constatar que parte da imprensa age de maneira parcial e aceita a tese de que o professor está sendo perseguido, ou que existe no Brasil uma perseguição de cunho neomacartista por parte da população negra.&lt;br /&gt;É preciso saber que o racismo é, antes de tudo, um exercício de poder, além disso, o caso é um exemplo evidente da assimetria de poder existente entre brancos e negros na sociedade brasileira, imposta por pessoas que insistem em fixar os padrões das relações raciais a partir dos instrumentos do Estado que se encontram sob sua posse. A universidade pública é um exemplo típico deste fenômeno. Aqueles que agem deste modo se sentem assegurados não apenas pela estrutura hierárquica que os protege, mas também pela justiça brasileira.&lt;br /&gt;         Mais absurdo ainda é falar em neomacartismo racial, porque assim como o racismo, a perseguição macartista também é um exercício de poder, e este poder não está sob posse dos estudantes negros e negras, pois somente agora este grupo percebe efetivamente o benefício do ensino superior do qual foi por tanto tempo alijado.&lt;br /&gt;         Para vencer esta polêmica criada pelos que buscam os gatos e ratos da nossa sociedade é mais acertado tentar decifrar o Brasil pelas estatísticas da violência policial. Os números assustam, pois refletem um país que está cometendo um verdadeiro genocídio contra os negros. Isto sim é perseguição e vitimização.&lt;br /&gt;         É urgente combater a perseguição dentro e fora da academia contra pensadores ativistas, é preciso perceber que a militância é algo natural e que aqueles que alegam isenção e neutralidade também são militantes de um status quo universitário que pode estar intimamente comprometido com valores racistas, machistas e homofóbicos.&lt;br /&gt;Para encerrar, um conselho aos pesquisadores negros oferecido pelo grande Professor Kabengele Munanga da Universidade de São Paulo, publicado na edição do jornal Irohin (Junho-Julho de 2006): &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“- Eles (os pesquisadores negros) devem ter consciência de que a academia não é ausente de preconceitos, que eles encontrarão barreiras na academia, que desqualifica os próprios projetos deles, dizendo que os projetos dos candidatos negros não têm um caráter científico, são incompletos, são emocionais, é isso e aquilo... (...) Não dá pra se policiar muito porque a emoção faz parte do processo de conhecimento. A emoção não impede uma análise científica. Pelo contrário, pode até ser um fator de motivação. Sem paixão a gente não faz nada. “&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=30988165#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Gustavo Freitas Amora – Cientista Político e Mestrando do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília – IPOL. &lt;a href="mailto:gustavo_amora@yahoo.com.br"&gt;gustavo_amora@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=30988165#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[2]&lt;/a&gt; Ver Neomacartismo Racial, artigo publicado pelo jornal O Globo de 06/07/07.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-1683380721376616676?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/1683380721376616676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=1683380721376616676' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/1683380721376616676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/1683380721376616676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2007/07/fora-do-macartismo-acadmico.html' title='A Força do Macartismo Acadêmico'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115375562435593872</id><published>2006-07-24T11:18:00.000-04:00</published><updated>2006-07-24T11:40:24.380-04:00</updated><title type='text'>Debate no caderno Pensar do Correio Braziliense</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:-0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:-0;"&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;debate&lt;br /&gt;A cor da dúvida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politicamente correto ou discriminação? O uso de uma palavra considerada pejorativa lança a UnB em uma grande polêmica &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;  &lt;hr align="center" size="2" width="100%"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Da Redação &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A discriminação racial voltou à baila na Universidade de Brasília depois que o professor Paulo Kramer, do Instituto de Ciência Política, foi denunciado à reitoria por um grupo de alunos do mestrado. Na primeira aula do semestre, ao explicar políticas compensatórias para a população negra, Kramer teria se referido ao grupo étnico como "criolada". Ao ser questionado por Gustavo Amora, um de seus alunos, ele se recusou a adotar expressões politicamente corretas, alegando que representavam um cerceamento ao seu direito de expressão. Em seguida, acusou-o de ser um "racista negro". Por enquanto, os dois protagonistas insistem em manter a polêmica longe dos tribunais, restringido-a aos terrenos acadêmico e das idéias. Por isso, nesta edição, o Pensar abre seu espaço ao debate entre Kramer e Amora. Eles expressam seus pontos de vista em artigos inéditos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;  &lt;hr align="center" size="2" width="100%"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Kramer é apenas um sintoma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo Freitas Amora&lt;br /&gt;Especial para o Correio&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Era o único estudante negro em uma turma de vinte alunos no Mestrado &lt;st1:personname productid="em Ciência Política" st="on"&gt;em Ciência  Política&lt;/st1:PersonName&gt; da Universidade de Brasília, quando na primeira aula do semestre ouvi o professor se referir à população negra pelo termo "criolada". Como acabava de entrar na pós-graduação, alertei-o de que esse termo era pejorativo e que causava constrangimento, não só a mim, como a diversos outros estudantes de origens sociais e orientações ideológicas diferentes. Nove deles arriscaram seu futuro acadêmico e assumiram as conseqüências do desgaste que isso acarretaria junto ao corpo docente quando decidiram apresentar queixa formal a mais de uma instância interna da universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A utilização de um termo vulgar e preconceituoso em sala de aula não foi o que motivou a denúncia e a mobilização dos estudantes contra o professor. Primeiramente, ela motivou a necessidade de um diálogo e uma frustrada tentativa de fazê-lo compreender que, como único estudante negro da turma, ciente e alvo constante das inúmeras formas de discriminação racial, veladas ou não, o uso continuado do termo soava como um ataque à dignidade do grupo ao qual pertenço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, sua postura como professor poderia sinalizar para os estudantes menos atentos, ou insensíveis à discriminação racial, que o termo poderia ser utilizado normalmente como qualquer outro. Ou, o que é muito pior, e academicamente insustentável, que a palavra "criolada" (que possui uma conotação pejorativa) seja uma tradução competente da expressão "black under-class" (que não tem essa mesma conotação).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, o professor não apenas se recusou a abandonar o uso de uma palavra eticamente condenável (porque ofende) e academicamente inadequada (porque não é o que diz ser) como afirmou que continuaria se referindo ao conjunto da população negra como "criolada" quando lhe aprouvesse, ainda que tivesse que impetrar um mandado de segurança para tal. Foi sua intransigência, sua recusa ao reconhecimento da ofensa mesmo quando alertado, sua desconsideração às nossas solicitações, e não que uma postura gratuitamente beligerante o que motivou o encaminhamento de uma queixa formal ao Reitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira reação diante da denúncia foi um contra-ataque agressivo, com o aprofundamento das ofensas. Depois, uma tentativa forçada de passar de agressor a vítima quando valeu-se de seu lugar de autoridade e do espaço que a universidade pública lhe oferece para me acusar publicamente de "racista negro" e "Klu Klux Klan às avessas". E, por fim, a tentativa cômica de vender ao público a imagem de alguém perseguido pela suposta seita dos defensores do "politicamente correto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "Caso Kramer", no entanto, não deve ser lido de forma sensacionalista e sim como um sintoma de um problema da sociedade. Ele foi a válvula que explodiu no momento e no lugar onde estudantes negros e negras estão tomando assento nas salas de aula da primeira universidade pública federal a adotar o sistema de cotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse, no entanto, não é um caso isolado: em 1998 no Departamento de Antropologia da UnB, Arivaldo Alves, único estudante negro a ingressar no doutorado na época, teve que lutar mais de dois anos nas instâncias internas da universidade até provar que havia sido vítima de uma reprovação injusta. Estes dois episódios evidenciam o alto grau de hostilidade que sofrem os estudantes negros quando começam a avançar posições na hierarquia acadêmica, como no ingresso à pós-graduação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente caso, portanto, pode ser o marco de uma guinada nos comportamentos, que vise colaborar para o avanço do nível de respeito mútuo da diversidade que lentamente vai ocupando espaço na Universidade de Brasília. A abertura de uma comissão de sindicância para a investigação do fato abrirá um precedente que comporta seus riscos. De um lado, caso a instituição opte por uma saída corporativa, à &lt;st1:personname productid="la Câmara" st="on"&gt;la Câmara&lt;/st1:PersonName&gt; dos Deputados, e confira um certificado de inocência ao professor, o uso da palavra "criolada" para se referir aos negros será simplesmente sancionado e poderá tornar-se vocábulo corrente, não só nos corredores, como dentro da sala de aula, mesmo sendo ofensivo aos alunos negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se a comunidade universitária, de forma exemplar, utilizar-se de sua autonomia para impor algum tipo de sanção a sua conduta, ela sinalizará para a comunidade interna e para a sociedade brasileira o início da construção de uma convivência mutuamente enriquecedora em ambientes étnica e racialmente diversificados. Esse novo tipo de convivência requer não apenas o abandono do vocabulário estigmatizante, proveniente do colonialismo e do escravismo, mas também, como em toda sociedade democrática, o estabelecimento de parâmetros mínimos de liberdade de expressão com respeito às diferenças. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;  &lt;hr align="center" size="2" width="100%"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt;"&gt;Gustavo Freitas Amora, 24 anos, é Cientista político&lt;br /&gt;e mestrando do instituto de ciência política da Universidade de Brasília&lt;br /&gt;(&lt;a href="http://www.unbsempreconceitos.blogspot.com/" target="_blank" _=""&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 51, 153);"&gt; www.unbsempreconceitos.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um dia politicamente correto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Kramer&lt;br /&gt;Especial para o Correio &lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Dedico este texto ao líder de famoso grupo cultural baiano. Minha vida mudou desde que resolvi seguir a lição de liberdade de expressão que ele me passou via Correio Braziliense: "A declaração do professor foi racista. Ele deveria ter usado população negra, afrodescendente ou [...] afro-americana."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amanhecer demora no inverno; ainda estava escu..., digo, afro quando acordei. Um dia como outro qualquer? Negativo, perdão, afroativo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali em diante, após os dissabores causados pela minha incontinência de cátedra, decidira só falar o idioma do politicamente correto, novilíngua que contagiou o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei o chuveiro cantarolando minha melodia favorita ("Que é pra acabar com esse afrócio de você viver sem mim...")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vesti-me correndo para o desjejum. Na copa, a nova colaboradora já ia enchendo a xícara com leite, mas detive seu gesto. Recém-contratada, ela não sabia que só tomo café afro pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No táxi rumo ao campus, o motorista me confessou que sua situação financeira era afrodescendente. Concordei suspirando: a minha também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes da aula, passei na secretaria do instituto para cumprimentar a funcionária, velha amiga que andava adoentada. Pelo sorriso, vi que o resultado de sua bateria de exames fora afroativo. Que bom!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escada, topei com Otávio Framboesa, simpático aluno militante de todas as causas alternativas imagináveis. Lamentou os maus momentos por que vinha eu passando desde o dia fatídico em que, com meu desleixado linguajar, pronunciei o vocábulo — perdão, mais uma vez, leitores — afrodescendentada. Framboesa se despediu me recomendando cuidado e deixando na palma da minha mão um testemunho de apreço. O cartãozinho anunciava: "Mansão PC — spa terapêutico para homófobos, sexistas &amp; preconceituosos em geral". Valeu, Framboesa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema da aula eram os impasses da redemocratização no Brasil. Os alunos e eu vimos como os conflitos entre o governo da Nova República e a Constituinte produziram um vácuo de poder, ou, em analogia com a física einsteiniana, um buraco afrodescendente na política brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de lá com aquela boa sensação do dever cumprido. Falar e escrever sobre política sempre foi minha cachaça. Garoto no Rio de outrora, acompanhara com emoção, pelo rádio, a contagem dos votos na eleição ao governo da antiga Guanabara, vencida por Afrodescendentão de Lima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora do almoço. No restaurante, constatei o efeito duradouro da trapalhada lingüística em que me metera. Os colegas mal me cumprimentaram, olhando-me como se eu fora um lepr.., opa, hanseniático. Como ocorre com muitos companheiros adiposamente avantajados, compenso minhas frustrações comendo. Corri para o bufê e despejei no prato uma concha generosa do meu quitute preferido: feijão afro-brasileiro. Pelo menos, enfrentaria meu calvário de barriga cheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que tinha a tarde livre! Resolvi perambular pelas livrarias da cidade. Perguntei ao primeiro vendedor se ele tinha um exemplar de O samba do afro-brasileiro psiquicamente perturbado, de Stanislaw Ponte Afrodescendente. "Ih, doutor, esse está esgotado faz tempo. Nem em sebo o senhor vai encontrar. Só apelando para o mercado afro-americano e pagando uma nota afrodescendente"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeci e continuei meu périplo intelectual. "Livraria, lugar de perdição!", já dizia Drummond. Na terceira ou na quarta loja, vi um ex-aluno dos mais brilhantes. Temeroso de novos dissabores, me agachei atrás de uma estante. Inútil. Lá vinha ele na minha direção com um reconfortante sorriso. Abracei-o e perguntei o que andava fazendo, passados tantos anos da formatura. Como muitos colegas, continuou os estudos, bacharelou-se em direito e agora se preparava para aceder ao nirvana salarial de uma carreira jurídica, por concurso. Estava, porém, indeciso: "Por onde devo começar, professor?". Aconselhei no ato: "Pelo Novo Código Civil comentado, do ilustre jurista Theotônio Afro-americanão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz quis demonstrar sua gratidão me convidando para um chope, mas tive que declinar; em casa, tarefa cansativa, mas inadiável, me aguardava: arrumar o caos do escritório e deitar fora tudo que não prestasse mais. Foi com uma ponta de saudade que me despedi dos bolachões de Ataulfo Alves ("Ô mulata assanhada..."), Lamartine ("Mulata, mulatinha, meu amor...") e Jorge Ben, antes do jor ("Sou flamengo e tenho uma afrodescendente chamada Tereza...").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei já noite alta, quase hora de dormir. Para relaxar, antes do beijinho de boa-noite, botei minha filha no colo e não tive como recusar seu pedido. Queria que eu contasse, pela enésima vez, a lenda do Afrodesdescendente do Pastoreio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;  &lt;hr align="center" size="2" width="100%"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Paulo Kramer, 49, professor de ciência política da UnB, é de origem judaica&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:-0;"&gt;&lt;span style="font-size:-0;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:-0;"&gt;&lt;span style="font-size:-0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115375562435593872?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115375562435593872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115375562435593872' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115375562435593872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115375562435593872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/debate-no-caderno-pensar-do-correio.html' title='Debate no caderno Pensar do Correio Braziliense'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115334860207135413</id><published>2006-07-19T18:01:00.000-04:00</published><updated>2006-07-20T14:39:43.203-04:00</updated><title type='text'>UnB decide abrir sindicância para apurar denúncias contra professor Paulo Kramer</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/1600/Charge_Pestana.0.6.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/400/Charge_Pestana.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/1600/Charge_Pestana.0.5.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Charge de Maurício Pestana, um dos grandes chargistas negros da atualidade.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/1600/Charge_Pestana.0.4.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Hoje foi aberto o processo administrativo para averiguar as denúncias contra o Professor Paulo Kramer. A procuradoria da UnB pediu abertura de sindicância e o Reitor acatou a decisão. Agora será nomeada uma comissão formada por três professores(as) doutores(as). Eles(as) terão 30 dias para analisar o caso e podem pedir mais 30 dias de prorrogação. Depois disso, eles emitem um parecer pedindo a abertura de um processo administrativo disciplinar que poderá acarretar advertência, suspensão ou demissão do professor. Contudo, durante o processo a UnB poderá pedir o afastamento preventivo do professor.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115334860207135413?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115334860207135413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115334860207135413' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115334860207135413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115334860207135413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/unb-decide-abrir-sindicncia-para_19.html' title='UnB decide abrir sindicância para apurar denúncias contra professor Paulo Kramer'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115334524108395541</id><published>2006-07-19T17:39:00.000-04:00</published><updated>2006-07-19T18:01:00.673-04:00</updated><title type='text'>Kramer se pronuncia!</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 102);"&gt;&lt;span class="chapeu"&gt;polêmica Na UnB&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="titulo"&gt;Kramer nega  racismo contra alunos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;!-- &lt;span class="sutia"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;--&gt;  &lt;hr class="hr2"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span class="assinatura"&gt;Leandro Bisa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="complassinatura"&gt;Da equipe do Correio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;table align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1" width="120"&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;!-- &lt;table width="120" align=""&gt; --&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1" width="120"&gt;  &lt;tbody&gt;  &lt;tr align="right"&gt;  &lt;td&gt;&lt;span class="credito"  style="font-size:85%;"&gt;Paulo de Araújo/CB&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;  &lt;tr&gt;  &lt;td class="imagem"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20060719/fotos/pri-1907-2601.JPG" border="1" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;  &lt;tr align="right"&gt;  &lt;td&gt;&lt;span class="legenda"  style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Carlos Antônio e Franco Nero, ex-alunos de Kramer (C), defendem o estilo do mestre de se expressar com termos que traduzem a realidade&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;!--&lt;/table&gt;--&gt;  &lt;tr&gt;  &lt;td&gt;&lt;span class="legenda"  style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="texto"&gt;Depois de vários dias em silêncio, o professor Paulo Kramer, do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), resolveu falar. Ontem ele visitou o prédio da reitoria acompanhado de dois ex-alunos negros que afirmam estar indignados com as acusações feitas contra o professor. Kramer demonstrou ansiedade com a demora da análise do caso pela Reitoria. “Me prontifiquei a vir aqui pegar esse documento. Vim me certificar do que se trata. Até agora não tenho nada de oficial”. Ele está preocupado com o prolongamento do caso. “Na cabeça das pessoas, quando lêem no jornal ‘racismo na UnB’, elas acham que isso já é a condenação. Estou preocupado com a opinião pública”, declarou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="texto"&gt;O parecer da Procuradoria Geral da UnB deve ser conhecido hoje. O procurador-geral da universidade, José Weber Holanda, garantiu por meio da assessoria que até o fim desta manhã o parecer sobre a acusação de racismo feita por um grupo de alunos do mestrado contra o docente será concluído e divulgado. A promessa era que o documento ficasse pronto ontem, porém, o tempo para análise não teria sido suficiente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="texto"&gt;Os estudantes que fizeram a denúncia esperam há nove dias pelo posicionamento da reitoria. “Estávamos na expectativa de que o documento sairia hoje (ontem), mas não saiu, infelizmente. Estamos esperando com calma e confiantes de que alguma coisa será feita”, afirmou Danusa Marques, 23 anos, aluna do mestrado em ciência política. O parecer tão aguardado é apenas uma análise jurídica da situação, que recomenda ou não o a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar, que ainda precisa ser autorizado pelo reitor Timothy Mulholland.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="texto"&gt;O professor chegou à reitoria da UnB por volta das 14h. Estava com dois de seus ex-alunos, o técnico jurídico Carlos Antônio Mathias Conforte, 35 anos, e o assessor político Franco Nero Dias Marçal, 25 anos. Ambos afirmam que, ao saberem do caso por meio do jornal, durante o último final de semana, procuraram o docente e se colocaram à disposição para apoiá-lo. “Acho essa acusação infundada e leviana”, disse Conforte. “Ele (Kramer) costuma usar termos que nos aproxima da realidade. Em sala de aula, o professor não pode estar preocupado com o que pode ou não falar”, acrescentou Marçal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;Respeito&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="texto"&gt;O grupo responsável pela denúncia se indignou ao ouvir Kramer dizer em sala de aula a palavra “crioulada”. Segundo o professor, ele usou o termo para se referir à população negra dos Estados Unidos que, na década de 1960, se beneficiou com políticas assistencialistas. “Não sou racista de jeito nenhum. Eu estava me referindo a uma situação. A intenção foi ilustrar, didaticamente, o caso. Quem me conhece, sabe que costumo usar termos vivos nas aulas”, disse. “É por isso que, modéstia à parte, sou considerado um ótimo professor”, emendou. Para ele, a palavra em questão é a tradução mais próxima de “black under class”, usada para designar negros americanos muito pobres, nos Estados Unidos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="texto"&gt;Danusa Marques discorda. “Quando ele falou isso em sala de aula, ficamos profundamente ofendidos”, comentou. Ela afirmou que a turma já havia ficado chateada com a palavra usada e, por e-mail, um dos alunos chegou a reclamar. Mesmo assim, Kramer teria voltado a mencionar o termo. “A gente quer é que ele seja responsável pelo que falou. Esse termo traz uma carga de opressão temerária. Vem de vários séculos. Além disso, não é para se usar em sala de aula”, disse a estudante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="texto"&gt;Em entrevista publicada pelo Correio no último sábado, o procurador-geral da UnB, José Weber Holanda afirmou que o parecer sobre o assunto deve resultar na abertura da investigação. Caso isso ocorra, uma comissão será formada para analisar o caso. O grupo terá 60 dias para julgar o professor e, nesse período, pode pedir o afastamento dele das atividades acadêmicas. Segundo Kramer, o caso demonstra que a “liberdade de expressão corre sério perigo”. Danusa rebateu: “Antes de falar isso, ele tem que pensar que todo mundo tem liberdade de ser respeitado”.&lt;/span&gt; &lt;!-- &lt;hr /&gt; --&gt;&lt;!-- &lt;hr /&gt; --&gt;&lt;!--  --&gt;&lt;!-- &lt;hr /&gt; --&gt;&lt;!--  --&gt;&lt;!-- &lt;hr /&gt; --&gt;&lt;!--  --&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;!-- &lt;hr /&gt; --&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;!-- __print__ --&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;----------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Editor:&lt;/b&gt; Samanta Sallum // &lt;a href="mailto:samanta.sallum@correioweb.com.br"&gt;samanta.sallum@correioweb.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Subeditores:&lt;/b&gt; Ana Paixão, Roberto Fonseca, Valéria Velasco&lt;br /&gt;&lt;b&gt;e-mail&lt;/b&gt;: &lt;a href="mailto:cidades@correioweb.com.br"&gt;cidades@correioweb.com.br&lt;/a&gt;&lt;a style="color: rgb(51, 204, 255);" target="_blank" href="http://br.f333.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=cidades@correioweb.com.br"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 102);font-size:85%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tels&lt;/b&gt;. 3214-1180 • 3214-1181&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115334524108395541?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115334524108395541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115334524108395541' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115334524108395541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115334524108395541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/kramer-se-pronuncia.html' title='Kramer se pronuncia!'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115334513779192532</id><published>2006-07-19T17:35:00.000-04:00</published><updated>2006-07-19T17:55:48.906-04:00</updated><title type='text'>A primeira lição da aula I</title><content type='html'>&lt;p  style="text-align: left;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;" class="assina1"&gt;Rita Laura Segato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="assina2"&gt;Departamento de Antropologia da UnB&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira lição de uma aula deve ser a lição de espaço público. Se isso é verdade para toda a Universidade, deveria ser mais verdade ainda para os cursos de Ciências Políticas e de Direito.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A lição de cidadania deve antecipar e acompanhar a transferência dos conteúdos disciplinares. Ela consiste em fazer da aula o lugar em que se testam e exercitam métodos para desenvolver a capacidade de convivência no espaço público entre pessoas muito diferentes entre si. Sua didática por excelência é a exemplaridade que emana do comportamento do professor. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Palavras agressivas ou depreciativas em boca do professor, menosprezo e agressão por motivo fútil não fazem parte das boas aulas para a cidadania, já que não sinalizam o caminho para a convivência pacífica, compassiva e beneficente no espaço público. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Isto é óbvio. Tão óbvio que causa espanto a necessidade de escrevê-lo dirigindo-o a uma audiência letrada. Que não prive a razão a respeito da situação penal no país já não é aceitável; mas que não prive a razão no meio universitário a respeito do que seja cidadania na sala de aula causa consternação e levanta dúvidas. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Por isso, temo-nos que nos perguntar: estamos perante uma provocação?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;No grande momento histórico que o Brasil vive ao reconhecer, finalmente, a dívida contraída 118 anos atrás com os negros livres – momento celebratório, monumental, digno de novas e verdadeiras festas libertárias -, os setores que hoje como ontem reagem contra um abolicionismo capaz de ir além do meramente protocolar passam a buscar com desvelo um argumento para deter o processo já instalado nos meios, no discurso político e no coração de muitos cidadãos negros e brancos, de fora e de dentro da academia. É um fato que, assim como foi na fase inicial do abolicionismo mais de um século atrás, o que vivemos nos nossos dias, representado pela luta em favor das ações afirmativas e do reconhecimento público do racismo brasileiro, extrapolou o movimento social específico que durante décadas havia lutado por estas reivindicações, e se transformou num assunto de estado, numa questão nacional, isto é, num tema de todos os povos e raças que habitam o território nacional.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É precisamente a esse patamar de tema universal para a nação que conseguiu conduzi-lo a luta pelas cotas iniciada na Universidade de Brasília em 1999. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O que encontram, então, seus detratores, para colocar-lhe freio? O que antepõem? &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Fazendo uso de uma futurologia pessimista e contradizendo com isto todas as premissas do excepcionalismo tropicalista brasileiro às quais eles mesmos dizem aderir, argumentam que o pagamento desta dívida irá racializar, isto é, irá acirrar um conflito racial que, segundo eles afirmam na contramão de uma multidão de vozes negras, ou não existe ou é tênue e irrelevante.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E é justamente neste contexto que na UnB, uma universidade com uma reconhecida história de sensibilidade à impunidade do racismo acadêmico, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;surgem agora casos de professores que, negando-se a acolher com generosidade o espírito dos novos tempos, decidem vociferar o seu desprezo pelo contingente em pleno crescimento de alunos negros nas suas salas de aula.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Naturalmente, o mar não está para peixe e as sensibilidades – negras e brancas - já bem mais trabalhadas que no passado, acusam recebimento da ofensa infringida. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A ofensa em sala de aula é agora não somente uma ofensa racista, daquelas costumeiras que quase todo aluno negro alguma vez sofreu, mas é uma provocação. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;E é desta forma, como provocação, que alunos e professores negros e brancos devemos entendê-la, enquadrá-la e tentar resistir a ela.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;É por isso que cada vez se fala mais sobre Educação &lt;st1:personname productid="em Direitos Humanos" st="on"&gt;em Direitos Humanos&lt;/st1:personname&gt; e da importância dos Direitos Humanos para a educação. Contudo, a grande maioria dos professores universitários não parece ter qualquer familiaridade com o tipo de sensibilidade cidadã que os Direitos Humanos criam e exigem como pré-requisito adaptativo para a fase histórica que o mundo atravessa. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Os especialistas falam nos Direitos Humanos através da Educação - como conteúdos da mesma -; no Direito Humano à Educação - as medidas inclusivas baseadas na discriminação positiva e a ampliação de recursos aplicados nas instituições públicas de ensino-; e nos Direitos Humanos influindo na gestão educativa e na relação professor/aluno – o respeito a estes direitos no exercício da autoridade tanto na administração das instituições como na sala de aula. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Mas, infelizmente, nada ou quase nada dessa reflexão parece penetrar no nosso meio. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A obrigatoriedade de um módulo de Direitos Humanos para todos os professores universitários e a instalação imediata de uma Ouvidoria parecem-me medidas urgentes a ser tomadas na nossa instituição. E quando digo Ouvidoria refiro-me à forma precisa em que este órgão foi proposto no projeto original de cotas - não inteiramente implantado ainda - que fez história na nossa universidade e no país, isto é, não como entidade deliberativa ou de encaminhamento dos casos aos colegiados competentes (papel que teve, no passado, a Ouvidoria da UnB, extinta no início da gestão do Reitor Lauro Mohry) nem como órgão destinado a julgar processos ou influenciar no seu andamento. Seu papel iria ser o de permitir e promover o que não temos: discussão interna, oportunidade para a comunidade universitária poder localizar e debater os seus problemas, incluindo aí os abusos que nela se cometem. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Com um devido debate dos casos, subsidiado por uma reflexão técnica &lt;st1:personname productid="em Direitos Humanos" st="on"&gt;em Direitos  Humanos&lt;/st1:personname&gt;, a comunidade universitária e os meios brasilienses e brasileiros se tornariam capazes de entender, por exemplo, que comentário ofensivo na sala de aula não é equivalente à opinião pessoal que um autor divulga numa obra de sua autoria: o livro permite a escolha de comprá-lo ou não comprá-lo, de lê-lo ou não lê-lo, A AULA, NÃO. Abandonar uma disciplina para evitar o que se percebe como uma ofensa de um professor tem um ônus sério para a carreira de um aluno e, no caso das disciplinas que são sempre oferecidas pelo mesmo professor ou membros diretos de seu grupo de amizade e pensamento, esse ônus é insuperável. Portanto, a ofensa deste tipo se afilia mais ao tema do assedio, pelo encurralamento do aluno numa situação inescapável onde o molestador é também autoridade, e seus pares, numa situação de parceria colegiada, são também autoridade. O cerco da autoridade deixa o subordinado em situação de ter que suportar o que não deseja suportar. Deixa-o indefeso.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Ter uma aula livre de piadas misóginas, homofóbicas ou racistas é uma aspiração antiga dos alunos da UnB. Os recorrentes relatos que vim ouvindo durante meus 21 anos de magistério na casa claramente me mostraram isso. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Somente depois de uma reflexão bem munida de exemplos históricos e suficientemente aprimorada por uma prática de debates, a comunidade dentro e fora da academia se tornaria capaz de entender o verdadeiro significado e alcance do direito à liberdade de expressão e de palavra, isto é, o direito que supostamente ampararia o professor ao enunciar seu preconceito em sala de aula. Direito, porém, que não o ampara, porque os direitos contemplados na Declaração Universal e nos Pactos e Convenções que a seguiram não são iguais. Há uma hierarquia de valor no interior dessas normas, isto é, há direitos com restrições e direitos sem restrições. Não falo aqui de hierarquias no sentido já tão rebatido das “gerações dos direitos humanos” (os civis e políticos e os econômicos, sociais e culturais), e sim no sentido plenamente aceitável da diferença entre aqueles direitos considerados absolutos, como o de não ser torturado, e os considerados relativos, como o da liberdade de palavra. Este último, embora fundamental, tem que respeitar um valor maior. Assim consta do Artigo 19 &lt;i style=""&gt;do &lt;span style=""&gt;Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; que coloca “o respeito aos direitos ou à reputação dos outros” como limite à liberdade de opinião. E também no Artigo 20, que determina a proibição na lei de “toda apologia do ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitação à discriminação, à hostilidade ou à violência”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Portanto, é possível dizer que uma fala que coíbe ou maltrata a diversidade de presenças em uma sala de aula, depreciando os não-brancos, os que praticam uma religião de origem africana, os membros ativos de um movimento social, os que têm uma orientação sexual não heterossexual ou as mulheres, isto é, uma fala de autoridade que expressa desgosto pela presença desta variedade de atores na sala de aula ou no meio social não tem direito a soar aí, porque o direito à pluralidade de presenças está sendo comprometido. A proibição da instigação ao ódio ou desprezo étnico e racial e a proteção da pluralidade de presenças e de sua livre expressão é um valor maior que a liberdade de opinião e de palavra. A liberdade de expressão (como bem já se entendeu na França no início dos anos &lt;st1:metricconverter productid="90 a" st="on"&gt;90  a&lt;/st1:metricconverter&gt; partir do caso do também professor universitário Robert Faurisson e a imediata votação da Lei Gayssot) é um direito menos fundamental que o absoluto direito de cada uma das identidades raciais, étnicas, religiosas ou sexuais que compõem a sociedade nacional a se manifestar no espaço público e na sala de aula livre de pressões e assédio moral.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p face="times new roman" class="texto"&gt; &lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115334513779192532?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115334513779192532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115334513779192532' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115334513779192532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115334513779192532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/primeira-lio-da-aula-i.html' title='A primeira lição da aula I'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115289412154887718</id><published>2006-07-14T11:30:00.000-04:00</published><updated>2006-07-14T13:13:14.423-04:00</updated><title type='text'>Leiam nossa carta aberta</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Carta aberta do grupo de estudantes do mestrado em Ciência Política&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prezados(as) colegas de curso, professores(as) e demais membros da comunidade acadêmica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem nos conhece, sabe o quanto nosso grupo valoriza a Universidade de Brasília e a importância que a mesma tem para a sociedade brasileira. Além disso, as pessoas que acompanham este caso de perto têm consciência de que não guardamos sentimentos de ódio e muito menos de idolatria a nenhum professor ou professora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qual é o nosso objetivo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta pergunta foi feita no primeiro dia em que nos reunimos para discutir alguma possível atitude quanto à situação que presenciamos em sala de aula. A resposta de todos os colegas foi que deveríamos colocar este problema para o Instituto de Ciência Política – IPOL. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nós presenciamos uma situação inaceitável, todos sabiam que o silêncio seria muito mais confortável do ponto de vista prático. Mas em nenhum momento cogitamos recuar porque aquele não era um problema pessoal nosso, era uma questão que a UnB precisaria enfrentar, cedo ou tarde. De posse de um compromisso inabalável por uma universidade de qualidade, nosso grupo não titubeou em cobrar uma posição da Universidade de Brasília.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levamos a questão para a Diretora do IPOL e para o Coordenador da Pós-graduação porque sabíamos que era responsabilidade deles apurar os fatos, e não nossa. Nossa responsabilidade se limitava a comunicar o ocorrido e pedir providências. Depois vieram a Comissão da Pós-graduação e o Colegiado do IPOL, e neste momento percebemos que estávamos transitando da posição de vítimas para a de algozes, após termos denunciado os fatos ocorridos em sala de aula.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decidimos dar um passo adiante e levar o debate para a reitoria da universidade. O Reitor recebeu a denúncia e prometeu dar o devido encaminhamento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A imprensa surgiu e fizemos questão de agir de maneira transparente diante da sociedade brasileira, que financia a universidade pública e exige saber o que ocorre na mesma. Oferecemos depoimentos, documentação e serenidade para não exercitar pré-julgamentos que pudessem atropelar o processo de apuração dos fatos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tivemos altos e baixos da cobertura da mídia. Em muitos momentos tentaram transformar o episódio todo em uma tragicomédia digna de folhetim pautando uma suposta batalha entre Gustavo Amora e Paulo Kramer. Em outros momentos, a mídia cumpriu muito bem o seu papel de apresentar para a sociedade o drama de um grupo estudantes que decidiu denunciar seu próprio professor sabendo o preço que iria pagar por se levantar contra a ordem estabelecida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nós sabemos o quanto este processo tem sido doloroso para todos e, principalmente para o professor Kramer, que acabou por se tornar vítima das suas próprias declarações, que agora estão sujeitas ao escrutínio público. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, como pessoas que acreditam em algum tipo de unidade orgânica para toda a humanidade, nós manifestamos uma mensagem de força e coragem para que ele possa superar este momento difícil, e, assim como nós, consiga crescer e aprender com isto tudo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O momento agora é de olhar para frente, discutir com seriedade a questão e buscar novas frentes para combater a discriminação na Universidade de Brasília. Não vamos olhar para trás! O que o professor falou ou deixou de falar é passado, cada um é responsável pelo que fala e o inquérito administrativo conduzido pela UnB dará uma resposta sobre o caso. Isto é responsabilidade da instituição. Nós, como estudantes, temos o olhar focado no presente e no futuro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O conflito é desgastante, mas envolve muitas pessoas que antes se omitiam, tanto para apoiar nosso grupo quanto para desqualificar nossa denúncia. Isto para nós é uma vitória! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fato é que nos últimos dias temos recebido muitas mensagens de apoio, de pessoas de todo o Brasil que nutrem o mesmo compromisso que o nosso grupo defende. Isto significa que o futuro promete um debate muito mais consistente sobre racismo partindo das universidades brasileiras. Diante disso, o nosso grupo se compromete a criar um núcleo de debate sobre discriminação no âmbito da Ciência Política, aberto a toda a comunidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A princípio, atuaremos em um nível não-institucional, mas caso haja interesse por parte da universidade de incluir este debate na sua esfera acadêmica de maneira não-subalterna, nós teremos todo o interesse em contribuir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A política de cotas para negros e negras é um grande exemplo de que a Universidade de Brasília tem uma preocupação progressista com a inclusão e isto supera quaisquer incidentes isolados. Basta agora trazer esta preocupação para o cotidiano da UnB. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O nosso grupo acredita em uma universidade de vanguarda, que reflita os conflitos e anseios da sociedade brasileira e continuaremos colaborando neste sentido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um grande abraço a todos e desejamos muita energia positiva para todos que estejam envolvidos nesta discussão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;Carlos Augusto Mello Machado&lt;br /&gt;Caroline Soares Santos&lt;br /&gt;Danusa Marques&lt;br /&gt;Gabriela Oliveira de Andrade&lt;br /&gt;Gustavo Freitas Amora&lt;br /&gt;Janine Mello dos Santos&lt;br /&gt;Marcelo Gonçalves da Silva&lt;br /&gt;Marconi Fernandes de Sousa&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Helena Cristina Máximo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115289412154887718?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115289412154887718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115289412154887718' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115289412154887718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115289412154887718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/leiam-nossa-carta-aberta.html' title='Leiam nossa carta aberta'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115287982749632526</id><published>2006-07-14T07:08:00.000-04:00</published><updated>2006-07-14T08:23:47.566-04:00</updated><title type='text'>Reportagem na CBN</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  Caros leitores, hoje sairá uma reportagem na rádio CBN sobre o caso Kramer, a reportagem será divulgada a nível nacional. Estamos enviando o link para download para aqueles que não tiverem a oportunidade de ouvir a reportagem ao longo do dia.&lt;br /&gt;            Para ter acesso a gravação, &lt;a href="http://rapidshare.de/files/25815640/MICHELLE_BAIAO_CBN_RACISMO_NA_UNB_12_07_06.mp3.html"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;, acessando o site, basta escolher a opção FREE aguardar alguns segundos e baixar o arquivo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115287982749632526?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115287982749632526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115287982749632526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115287982749632526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115287982749632526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/reportagem-na-cbn.html' title='Reportagem na CBN'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115287516554704589</id><published>2006-07-14T06:55:00.000-04:00</published><updated>2006-07-14T07:06:05.560-04:00</updated><title type='text'>Nova reportagem do Correio sobre o caso</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/1600/pri-1407_racismo%20na%20UnB.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;POLÊMICA&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Racismo na UnB invade internet&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alunos gravam aula de professor e reproduzem na rede de computadores. Na fita, ele chama estudante de racista negro. Reitoria não abre processo para investigar denúncias contra Paulo Kramer&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;--------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pablo Rebello&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da equipe do Correio&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;A Reitoria da Universidade de Brasília (UnB) ainda não decidiu se vai instalar inquérito administrativo para apurar denúncias de racismo contra o professor Paulo Kramer. Enquanto isso, o assunto continua sendo tema de discussões entre alunos e professores. Ontem, uma fita com a gravação da última aula que o professor deu ao grupo de alunos que o denunciou começou a circular na internet. &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/1600/pri-1407_racismo%20na%20UnB.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/320/pri-1407_racismo%20na%20UnB.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No arquivo, gravado por um aluno do mestrado de ciência política que não quis se identificar, Paulo Kramer afirma que continuaria a falar crioulada e chama o estudante Gustavo Amora de racista negro e Ku-Klux-Klan às avessas. O professor usou como argumento a defesa da liberdade de expressão e que Gustavo está agindo segundo uma agenda politicamente correta. Eu estou aqui falando em nome da liberdade de expressão, um direito que eu defendo para mim e para os outros, muito embora alguns queiram esmagá-lo, afirma Kramer. O professor diz que é uma presa fácil do politicamente correto, mas que não foge do conflito.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Caso seja comprovado que houve racismo por parte do professor Paulo Kramer, acredito que ele não terá condições de permanecer na UnB”, opinou o colega de profissão e também professor, Luis Felipe Miguel, 39 anos. Ele trabalha no Instituto de Ciência Política há 11 anos e afirma que rumores sobre a opinião de Kramer a respeito das minorias circulavam pelos corredores da faculdade há alguns anos. “Um discurso racista, da forma como foi relatado, já é grave, mas quando feito por um professor é pior ainda. É preciso que se faça uma investigação séria para constatar o que realmente ocorreu”, argumentou. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O caso começou com a formalização de uma denúncia das atitudes do professor em sala de aula feitas pelos alunos na reitoria da UnB, que provavelmente só será resolvido na justiça. Indignado com as acusações de racismo, Kramer promete pedir, judicialmente, reparação no valor de R$ 3 milhões pelos danos causados à sua imagem. Os estudantes afirmaram que preferiam resolver o problema dentro da própria universidade, mas que também abrirão processo contra o professor pelo crime de racismo, se ele tomar essa atitude. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A estudante Danusa Marques, 23 anos, faz parte do grupo de seis mestrandos que oficializou as denúncias contra o professor. “Ele tem fama de ser intolerante. Todos admitem que ele tem uma incontinência verbal que ultrapassa os limites do tolerável”, defende. O grupo queria que o Instituto de Ciência Política (Ipol) fizesse uma nova turma para que os seis alunos pudessem concluir a cadeira de teoria política moderna com outro professor. “Não conseguimos isso. Mas o Ipol está nos oferecendo a oportunidade de fazer uma prova escrita que será corrigida por outros professores”, disse. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Apesar do assunto ser evitado dentro das salas de aula, ele toma conta das conversas do lado de fora. “Entre os alunos da graduação, as discussões têm sido muito intensas. Há quem defenda o professor e diga que os comentários fazem parte do jeito descontraído dele e tem aqueles que acham um absurdo as coisas que ele fala e que já tinha passado da hora de alguém fazer alguma coisa”, contou um dos coordenadores do Centro Acadêmico (CA) de Ciências Políticas, Bruno Nogueira. Assuntos como racismo e sistema de cotas também acirram as discussões. Muitos estudantes chegaram a procurar o CA para pedir uma assembléia para debater a questão de forma mais ampla. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Internet A discussão sobre racismo na UnB não é recente. No ano passado, uma comunidade do Orkut – site de relacionamentos – passou a ser investigada pela Justiça devido a várias manifestações contra negros e afrodescendentes. Opositores da política de inclusão racial da universidade usavam palavras agressivas e ofendiam os alunos que entravam nos cursos pelo sistema de cotas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;----------------------------------------------------------------------&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Colaborou Érica Montenegro &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Editor: Samanta Sallum // &lt;a href="mailto:samanta.sallum@correioweb.com.br"&gt;samanta.sallum@correioweb.com.br&lt;/a&gt;Subeditores: Ana Paixão, Roberto Fonseca, Valéria Velasco e Wilmar Alvese-mail: &lt;a href="mailto:cidades@correioweb.com.br"&gt;cidades@correioweb.com.br&lt;/a&gt;Tels. 3214-1180 • 3214-1181 &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115287516554704589?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115287516554704589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115287516554704589' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115287516554704589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115287516554704589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/nova-reportagem-do-correio-sobre-o.html' title='Nova reportagem do Correio sobre o caso'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115279766548338219</id><published>2006-07-13T09:33:00.000-04:00</published><updated>2006-07-13T09:35:09.290-04:00</updated><title type='text'>O corporativismo tenta transformar réu em vítima</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Hoje, 13 de julho, no Correio Braziliense, o professor Paulo Kramer afirmou que vai processar o grupo denunciante, exigindo uma indenização de até 3 milhões de reais. Esta fala só pode demonstrar uma imensa falta de senso de realidade. Paulo Kramer, que pronuncia expressões de cunho racista em sala de aula, &lt;b&gt;e não o nega&lt;/b&gt;, agora é vítima?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O referido professor alega que tudo isso faz parte da sua liberdade de expressão, sem perceber que o que ele entende como ilimitada liberdade de expressão se traduz como &lt;b&gt;graves ofensas a grupos sociais historicamente desprivilegiados&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O intuito dos denunciantes sempre foi fazer a universidade &lt;b&gt;refletir&lt;/b&gt; sobre os espaços que são ali utilizados por docentes e discentes para proferir manifestações de fundo preconceituoso. Embora o corporativismo queira impedir esta discussão, como vem acontecendo dentro do Instituto de Ciência Política, que preservou apenas o professor e deixou os mestrandos em uma situação desprotegida nos últimos três meses, o caso faz os membros da universidade refletirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante afirmar que, como foi dito pela diretora do IPOL, Lúcia Avelar, o caso era prioridade dentro do instituto. Ela apenas &lt;b&gt;se esqueceu de falar&lt;/b&gt; que era prioridade somente na proteção ao professor, porque a única decisão tomada até o momento foi sugerir que o grupo desse um voto de confiança a Paulo Kramer, pois o IPOL não nos daria outra opção. Ao voltarem para a sala de aula, desamparados pelo IPOL, os mestrandos foram agressivamente agredidos pelo professor, que &lt;b&gt;esmurrava a mesa aos berros de “Vocês são covardes! Você é um racista negro! Um Klu-Klux-Klan às avessas!”&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;b&gt;A diretora do IPOL descumpriu&lt;/b&gt; &lt;b&gt;decisão&lt;/b&gt; aprovada no colegiado do Instituto de abrir uma nova turma da disciplina para os denunciantes. Até agora, a turma B não passou de uma proposta aprovada na reunião de colegiado de 23 de junho de 2006. Mesmo o colegiado sendo soberano em suas decisões, a proposta apresentada pela diretora do IPOL não se refere à abertura da nova turma. Quando questionado sobre o motivo pelo qual a nova turma não poderia ser aberta, o Coordenador da Pós Graduação, Antonio Brussi, afirmou, quase que orgulhosamente: &lt;b&gt;“Porque não”&lt;/b&gt;, em reunião com os estudantes da turma em 7 de julho.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A falta de respostas aos mestrandos é fruto do &lt;b&gt;corporativismo&lt;/b&gt; que impera no Instituto de Ciência Política. Quando o caso é sério, ninguém dá ouvidos aos estudantes, sejam de graduação, sejam de pós-graduação. O que vale é proteger a todo custo o professor que &lt;b&gt;inegavelmente é conhecido por seus comentários intolerantes&lt;/b&gt;. Talvez o IPOL imagine que é só falar "não" para a estratégia da negação por si só fazer o problema desaparecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115279766548338219?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115279766548338219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115279766548338219' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115279766548338219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115279766548338219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/o-corporativismo-tenta-tra_115279766548338219.html' title='O corporativismo tenta transformar réu em vítima'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115279670798950070</id><published>2006-07-13T09:05:00.000-04:00</published><updated>2006-07-14T08:30:42.100-04:00</updated><title type='text'>Seu conforto é o meu silêncio.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta imagem é um outdoor&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/1600/your_comfort_1981_Barbara_Kruger.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/320/your_comfort_1981_Barbara_Kruger.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; de uma artista americana chamada Bárbara Kruger. Militante feminista, ela fez esta obra em 1981 a partir de uma imagem muito comum na Inglaterra, que era utilizada em bibliotecas para pedir silencio. Ela modificou o texto para criticar aqueles que se opunham ao seu discurso contra o machismo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115279670798950070?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115279670798950070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115279670798950070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115279670798950070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115279670798950070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/seu-conforto-o-meu-silncio.html' title='Seu conforto é o meu silêncio.'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115275685674916101</id><published>2006-07-12T21:45:00.000-04:00</published><updated>2006-07-12T22:14:16.760-04:00</updated><title type='text'>Mais denúncias contra o professor Kramer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje nós fomos procurados por Laura Campos, filha do nobre Senador Lauro Campos, falecido há alguns anos atrás. Ela leu a reportagem no Correio e procurou o jornal no sentido de conseguir o nosso contato telefônico. Ela fez contato conosco e nos relatou uma história bárbara de desrespeito à sua integridade de seu falecido pai. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo relato de Laura Campos, o professor Kramer deu aulas de Ciência Política na FGV há alguns anos atrás e em meio a uma destas aulas ele atacou violentamente a dignidade do Senador Lauro Campos. Na mesma hora ela interrompeu o professor afirmando que era filha do Senador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo relato desta Sra, o professor Kramer afirmou que estava "cagando e andando" para o Lauro Campos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Sra Campos não aceitou a situação e se queixou formalmente a direção da FGV que acabou repreendendo o professor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto o desrespeito não cessou por aí, ao cruzar com Laura Campos em um Shopping da cidade o professor insistiu em agredir a imagem do Senador com comentários agressivos. Isto resultou em uma confusão que quase acabou em briga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que não nos surpreende diante dos fatos atuais foi que o professor acabou indo a uma delegacia e registrando notícia crime contra a Sra Laura argumentando uma história totalmente diferente daquela que ocorreu. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nós gostaríamos de aproveitar este momento para abrir espaço para que as pessoas denunciem outras situaçõe de desrespeito que este professor já criou dentro ou fora de sala. Enviem seu relato para &lt;a href="mailto:unbsempreconceitos@gmail.com"&gt;unbsempreconceitos@gmail.com&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Denunciem!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115275685674916101?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115275685674916101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115275685674916101' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115275685674916101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115275685674916101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/mais-denncias-contra-o-professor.html' title='Mais denúncias contra o professor Kramer'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115275409761831868</id><published>2006-07-12T21:11:00.000-04:00</published><updated>2006-07-16T15:22:05.300-04:00</updated><title type='text'>Três milhões de indenização???</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/1600/Imagem%20do%20grupo.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3911/3334/320/Imagem%20do%20grupo.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um grupo de estudantes da graduação nos procurou hoje, eles estavam indignados com a aula que tiveram com o professor Paulo Kramer hoje. Segundo os estudantes, o professor respondeu às acusações de racismo afirmando abriria um processo contra o nosso grupo ainda nesta semana. Segundo o relato dos estudantes, ele afirmou que pediria três milhões de reais de indenização por danos morais.&lt;br /&gt;Nós tentamos acalmar a indignação destes estudantes com o seguinte paralelo. Este caso se parece com uma lenda urbana de um bandido que processou uma família por ter se machucado nas grades do portão da casa que tentara roubar.&lt;br /&gt;Socorro! Chamem o ladrão!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115275409761831868?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115275409761831868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115275409761831868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115275409761831868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115275409761831868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/trs-milhes-de-indenizao.html' title='Três milhões de indenização???'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115269849234656283</id><published>2006-07-12T05:42:00.000-04:00</published><updated>2006-07-12T06:01:32.396-04:00</updated><title type='text'>Denúncia ganha às páginas do Correio Braziliense</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É uma pena que a reportagem não tenha abordado o fato de termos decidido denunciar o professor diante da sua reincidência em se pronunciar de maneira racista. Mas fica aqui o adendo: após ser alertado por um dos estudantes e ter pedido desculpas, o professor voltou a se manifestar de maneira racista durante uma banca de seleção de professores adjuntos e, novamente dentro de sala de aula. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra questão, este não é o primeiro caso de racismo denunciado à reitoria, casos de racismo sempre ocorreram na história da universidade e outras investigações também.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É importante que isto fique explicitado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cidades/pri_cid_219.htm"&gt;http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cidades/pri_cid_219.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Polêmica &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Denúncia de racismo na UnB&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Grupo de alunos acusa professor do Instituto de Ciência Política de pronunciar frases preconceituosas durante as aulas. É o primeiro caso investigado pela reitoria, nos 44 anos de história da instituição&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;-------------------------------------------------&lt;br /&gt;Érica Montenegro Da equipe do Correio&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Não adianta dar dinheiro para essa crioulada.” A frase — pronunciada por Paulo Kramer, 49 anos, professor-adjunto do Instituto de Ciência Política, da Universidade de Brasília (UnB) — levou um grupo de alunos a formalizar queixa contra o professor na reitoria. É a primeira vez que isso ocorre nos 44 anos da UnB. Relatada pelos estudantes em carta entregue ao reitor Timothy Mulholland, e confirmada pelo próprio Kramer, a frase foi dita na manhã de 24 de abril, uma segunda-feira, durante a aula de Teoria Política Moderna (TPM), do programa de pós-graduação em ciência política. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Kramer explicava políticas assistenciais implementadas nos Estados Unidos, na década de 60, para a população negra, quando emitiu a opinião. “Estava dizendo que, antes de se macaquear uma política pública de outro país, é necessário saber quais os efeitos que ela trouxe para os supostamente beneficiados”, afirma. “Crioulada” foi o termo mais próximo que o professor diz ter encontrado para traduzir “black under class” — expressão pela qual os negros muito pobres são descritos por parte dos sociólogos nos EUA.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas o termo atingiu, em particular, o aluno Gustavo Amora, 24 anos, que tem a pele morena e se reconhece como negro. Gustavo, que foi aluno de Kramer também na graduação, decidiu enviar um e-mail queixando-se ao professor. No texto dizia: “Todos nós conhecemos o seu jeito brincalhão, algo que na maioria das vezes nos diverte dentro de sala. Mas acredito que haja limites para esta interação (…), a linguagem é uma dialética frágil e os dois pólos devem se respeitar para que não se perca esta dinâmica.” Kramer desculpou-se amistosamente, e o assunto prometia encerrar-se ali.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas, na aula seguinte, o professor fez uma explanação sobre a “onda politicamente correta”, que irritou Gustavo e alguns mestrandos da turma. “Ele desrespeitou nossas posições e julgamos por bem levar o caso ao conhecimento da direção do instituto”, afirma o estudante Carlos Augusto Machado, 24. Kramer avalia que, em sua condição de professor, chamava a turma à reflexão. “Eu sinceramente tenho medo que essa avaliação sobre o que é preconceito ou o que não é acabe prejudicando a liberdade de expressão, direito individual dos mais importantes”, comenta Kramer, que leciona na UnB há 19 anos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A questão ganhou corpo nos corredores do Instituto de Ciências Política e acirrou o clima entre alunos e professor. Em carta enviada à Comissão de Pós-Graduação no mês passado, sete estudantes dos cerca de 20 que fazem parte da turma de TPM pediram o afastamento de Kramer ou a abertura de uma nova turma. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tensão O confronto atingiu o clímax na aula da semana passada: o professor chamou Gustavo Amora de “racista negro” e de “Ku-Klux-Klan negra”. Criada em 1865 e até hoje em ação, a Ku-Klux-Klan chegou a queimar negros vivos nos EUA. “O professor estava completamente descontrolado e, como a direção do departamento não havia nos dado respostas satisfatórias, decidimos recorrer à reitoria”, completa a também aluna Danusa Marques, 23. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Paulo Kramer não nega a acusação, mas considera que o grupo de alunos havia passado dos limites. “Eles criaram uma espécie de motim, sem sequer ter o respaldo da turma inteira. Então, eu abri a questão para todos”, conclui. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de receber os estudantes na última segunda-feira, o reitor Timothy Mulholland encaminhou o caso ao departamento jurídico da UnB, que decidirá como resolver a questão. Se houver um inquérito administrativo e o professor for considerado culpado, pode receber punições que vão da advertência verbal à expulsão do cargo. “É um assunto muito sério, precisa ser avaliado com o máximo de cuidado”, resigna-se o reitor. Não há prazo para o departamento jurídico se pronunciar. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;-------------------------------------------------------------------------&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;Editor: Samanta Sallum // &lt;a href="mailto:samanta.sallum@correioweb.com.br"&gt;samanta.sallum@correioweb.com.br&lt;/a&gt; Subeditores: Ana Paixão, Roberto Fonseca, Valéria Velasco e Wilmar Alves e-mail: &lt;a href="mailto:cidades@correioweb.com.br"&gt;cidades@correioweb.com.br&lt;/a&gt;Tels. 3214-1180 • 3214-1181 &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115269849234656283?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115269849234656283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115269849234656283' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115269849234656283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115269849234656283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/denncia-ganha-s-pginas-do-correio.html' title='Denúncia ganha às páginas do Correio Braziliense'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115267372739513045</id><published>2006-07-11T22:51:00.000-04:00</published><updated>2006-07-11T23:23:19.790-04:00</updated><title type='text'>Acesse o pedido de inquérito administrativo</title><content type='html'>Pessoal, está aqui, na íntegra, o pedido formal de abertura de inquérito administrativo para averiguar as atitudes do professor Paulo Kramer em sala de aula.&lt;br /&gt;Este pedido foi entregue ao Reitor da Universidade de Brasília, Professor Timothy Mulholand em reunião realizada no dia 10 de Julho de 2006. Qualquer problema de formatação se deve ao formato do blog. Caso alguém deseje ter o arquivo na íntegra em formato doc, basta enviar um e-mail para &lt;a href="mailto:unbsempreconceitos@gmail.com"&gt;unbsempreconceitos@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AO PRESIDENTE DA COMISSAO PERMANENTE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR – REITOR DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gustavo Freitas Amora e Danusa Marques, todos fazendo representar os estudantes do 9o ano do Programa de Mestrado em Ciência Política da Universidade de Brasília vêm, por meio desta, denunciar recentes episódios de prática potencialmente tipificável como crime de racismo, além de postura incompatível à condição de membro do quadro docente desta instituição, ocorridos no campus, especificamente no decorrer de aulas do referido programa, no intuito de cobrar providências a respeito das mesmas, bem como, de dar a devida ciência à esta instituição para que a mesma, exemplarmente, tome as providencias que entender cabíveis ao caso, face às condutas do Professor Paulo Roberto da Costa Kramer em vários espaços desta universidade, e para tal, aduz o que se segue.&lt;br /&gt;É fato que este professor é conhecido por seu comportamento histriônico há bastante tempo e suas manifestações de desrespeito, incorrendo em possível sexismo, homofobia e racismo já eram conhecidas por parte do público acadêmico. Entretanto, este professor se apresentou bastante contumaz em suas práticas e rompeu os limites do respeito à história desta universidade e aos indivíduos que passam por ela, muitos em busca de conhecimento que possa subsidiar uma ação melhor coordenada dos grupos dos quais são originários.&lt;br /&gt;Em anexo, a denúncia está devidamente explicitada, no que inclui o relato dos estudantes que presenciaram as cenas possivelmente tipificáveis como crime de racismo, assim como o e-mail que foi enviado a este professor pedindo para que ele interrompesse as atitudes racialmente injuriosas. O fato é que este professor se referiu à população negra, por diversas vezes, dentro da sala de aula, pelo adjetivo pejorativo de "criolada". Sendo alertado via e-mail pelo estudante Gustavo Amora (ver anexo), o professor pediu desculpas pela atitude; entretanto voltou a se referir da mesma maneira durante uma banca de seleção para professores do mestrado e novamente dentro de sala de aula, nestes momentos exercendo cátedra universitária. Apesar de o fato contar com a conivência muitas vezes silenciosa de grande parte do corpo docente e discente, isto é uma grave acusação, o que reflete algum tipo de comprometimento deste locus social com práticas potencialmente racistas.&lt;br /&gt;Não é necessário salientar questões evidentes, mas é importante lembrar que a Universidade de Brasília é modelo para o Brasil e para o mundo ao adotar um programa de ação afirmativa para estudantes negros(as) e indígenas. Neste sentido, a presença de um professor com uma postura com esta reflete um enorme contra-senso diante de uma universidade pública que busca se tornar mais democrática e mais inclusiva. O comportamento deste professor, se constatada a inocorrência em crime penal racial, não pode ser tolerado pela universidade. Este grupo de estudantes que cursa a disciplina do Mestrado Teoria Política Moderna demanda a abertura de inquérito administrativo para que haja uma averiguação dos fatos e que as devidas providências sejam tomadas.&lt;br /&gt;Assim face ao exposto, REQUER:&lt;br /&gt;- Imediata abertura de inquérito administrativo disciplinar, em desfavor do professor Paulo Roberto Kramer para apurar os fatos aqui denunciados;&lt;br /&gt;- Ad cautela, o imediato afastamento do funcionário público Paulo Roberto Kramer das funções docentes vinculadas à atividade de ensino universitário de graduação e pós-graduação;&lt;br /&gt;- A citação do réu para que acompanhe o processo e apresente suas versões dos fatos;&lt;br /&gt;- A instauração de sindicância para apurar conivência por parte de outros docentes e de membros do Colegiado do Curso e do Colegiado da Pós-Graduação do referido curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termos em que pede deferimento,&lt;br /&gt;Carlos Augusto Mello Machado&lt;br /&gt;Caroline Soares Santos&lt;br /&gt;Danusa Marques&lt;br /&gt;Gabriela Oliveira de Andrade&lt;br /&gt;Gustavo Freitas Amora&lt;br /&gt;Janine Mello dos Santos&lt;br /&gt;Marcelo Gonçalves da Silva&lt;br /&gt;Marconi Fernandes de Sousa&lt;br /&gt;Helena Cristina Máximo&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115267372739513045?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115267372739513045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115267372739513045' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115267372739513045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115267372739513045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/acesse-o-pedido-de-inqurito.html' title='Acesse o pedido de inquérito administrativo'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115267030674750187</id><published>2006-07-11T21:47:00.000-04:00</published><updated>2006-07-11T23:25:17.646-04:00</updated><title type='text'>Vejam que paralelo interessante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Caros leitores, eu sempre acho que as manifestações racistas, veladas ou não, falam por si só, mas quando vejo professores se escondendo atrás da sua arrogante liberdade de cátedra para atropelar a Constituição Brasileira é preciso dizer algo.&lt;br /&gt;Para nossa sorte, a intelectualidade negra já produziu material suficiente e com bastante qualidade para que o Brasil reconheça, de uma vez por todas, que somos um país com profundos conflitos raciais e que não podemos mais nos esconder em uma suposta cordialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou enviando um texto de um "usual suspect" da opressão racial no Brasil. Logo após temos a resposta de uma das grandes intelectuais negras da atualidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Lá vái o texto:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As cotas raciais na universidade - Coluna de Luís Nassif na Folha de 2 de março&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O racismo negro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dos grandes ativos brasileiros é a convivência racial, especialmente naquilo que o Brasil tem de melhor: o povo brasileiro. Existe um racismo disfarçado em alguns setores, classe média e alta não intelectualizada, em alguns ambientes, não no ambiente popular. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Freqüento botecos onde convivem brancos, pardos e negros, em que posso chamar o Almeida de “negão” sem ser acusado de racismo, assim como ele pode me chamar de “turco”. Tenho liberdade para lhe dizer que “negão” só faz besteira, ele de me ameaçar com um “navio branqueiro” quando tomar o poder, sem precisar dar satisfação de nossa amizade e nossas brincadeiras a nenhum centurião do politicamente correto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nosso ponto em comum é a amizade e a música, é cantar dona Ivone Lara e Ary Barroso, é celebrar a mistura de raças, que me permite ter sobrinhos com 50% de sangue judeu, e quase outro tanto de sangue libanês. Corra-se a periferia de São Paulo, das grandes cidades, freqüentem-se as pequenas cidades, e se verá o povo irmanado na música, no futebol, na solidariedade para enfrentar um modelo econômico perverso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se souber que meu condomínio discrimina negros ou pobres, irei até às barras do tribunal para fazer valer a lei, porque o Brasil tem leis expressas para colocar racista na cadeia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, sob a capa das políticas compensatórias, está em marcha um processo que pode fortalecer o pior dos mundos: a intolerância racial aberta, praticada por grupos negros politizados, especialmente contra pardos e brancos de extratos sociais inferiores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Semanas atrás fui jurado em concurso de práticas sociais da FGV Rio. Um dos projetos era um curso profissionalizante em uma favela de Belo Horizonte, ao qual só tinham acesso alunos negros. O favelado quase branco, quase negro, passou a sofrer duas espécies de discriminação: fora do seu meio, por ser favelado; no seu meio, por ser um quase negro, quase branco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Ministro Patrus Ananias tem uma assessora negra retinta, lustrosa, bonita, instruída. Foi vetada em um bloco de carnaval em Salvador porque consideraram que sua negritude não era plena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Brasil não merece isso! E quando se entram com políticas compensatórias raciais –como é o caso das cotas para negros em universidades—começa a se dar legitimidade institucional a esse racismo. Pode-se discutir ou não a legitimidade de cotas para alunos de escolas públicas, cotas para pobres, mas não cotas para negros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como é que se vai aceitar esse pensamento desvairado e transformar em política pública, algo que começa a contaminar até as relações de solidariedade nas classes populares? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As cotas raciais, assim como a elegia a esse racismo negro, é uma ameaça concreta que precisa ser abortada no berço. Não se pode cair na esparrela da dívida histórica para tornar mais deserdados ainda os simplesmente pobres. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E viva Paulinho da Viola –meio negro, meio branco &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Agora leiam a resposta da Suely Carneiro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;AS VIÚVAS DE GILBERTO FREYRE&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;As viúvas de Gilberto Freyre não se cansam e voltam a atacar. Articulam suas baterias para fazer retroceder o debate sobre as relações raciais.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As viúvas de Gilberto Freyre não se cansam e voltam a atacar. Articulam suas baterias para fazer retroceder o debate sobre as relações raciais à idílica mitologia da democracia racial brasileira, numa forma de saudosismo extemporâneo, mas nem por isso ingênuo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o que se depreende do inusitado artigo “Racismo negro”, de Luiz Nassif , que parece ter por intenção reacender, incrementar a polêmica sobre as políticas de cotas raciais que estão sendo implementadas em várias universidades do país. Mais que para questioná-las, afirma uma tese inédita: negros politizados defensores das ações afirmativas e cotas estariam com essa estratégia desenvolvendo um racismo negro, antipardos e antibrancos pobres.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não se pode negar-lhe originalidade. Embora muito se pudesse discutir acerca de tal idéia, me inquieta mais o caráter normativo do artigo, que consiste num breve manual sobre como devemos conduzir as nossas relações raciais. Como convém a seres hegemônicos, ele se sente à vontade para normatizar condutas sobretudo para negros. A lição número um ensina que um dos grandes ativos brasileiros é a convivência racial, especialmente naquilo que o Brasil tem de melhor: o povo brasileiro. Existe um racismo disfarçado em alguns setores, classe média e alta não intelectualizada, em alguns ambientes, não no meio popular”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portanto, devemos entender que há uma parcela da elite que professa um racismo disfarçado fruto de sua ignorância, já que o setor intelectualizado dessa elite seria por princípio não racista e, a perseguir o seu raciocínio, deduz-se que o povo brasileiro, em sua extraordinária e natural sabedoria, estaria isento de idéias e atitudes racistas. Faltou combinar com o adversário. Tomando-se, então, como exemplo de intelectual não racista, Nassif nos relata: Freqüento botecos onde convivem brancos, pardos e negros, em que posso chamar o Almeida de ``negão ´´sem ser acusado de racismo, assim como ele pode me chamar de ``turco´´. Tenho liberdade para lhe dizer que negão só faz besteira, ele de me ameaçar com um navio branqueiro, quando tomar o poder, sem precisar dar satisfação de nossa amizade e nossas brincadeiras a nenhum centurião do politicamente correto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A democracia racial com a qual Nassif se satisfaz resume-se a intercursos sociais de baixa intensidade, na qual o direito que se advoga é apenas o de brincar com estigmas e estereótipos sem correr o risco de ser repreendido. É o suficiente para um branco ou turco intelectualizado. Porém, absolutamente insuficiente para um negro, intelectualizado ou não. Porque essa camaradagem de boteco não garante fora dele (do boteco), empregos, salários, educação, saúde e moradias iguais. Mas aqui a lição também é clara: negros do bem devem tirar de letra certas brincadeiras de que os brancos tanto gostam e reagir a elas com espírito low profile. É o melhor para todos. Quem pode manda, quem tem juízo obedece.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A próxima lição advém de outro exemplo pessoal do colunista. Diz ele: Se souber que meu condomínio discrimina negros ou pobres, irei até as barras do tribunal para fazer valer a lei, porque o Brasil tem leis expressas para colocar racista na cadeia. Portanto o seu amigo Almeida está garantido. A bravata silencia sobre quantos racistas foram presos até hoje nos incontáveis processos de racismo movidos pelos negros pelo país afora. Mas o recado é novamente claro: se houver racismo ou discriminação, use-se a lei (até porque ela não funciona) e não me venham com essa história de ação afirmativa ou cota. O sinhô branco continua nos ensinando como devemos nos comportar diante da discriminação e quais são os termos, aceitáveis para ele, em que pode se expressar a nossa reação às possíveis práticas discriminatórias, na hipótese, é claro ,de que elas existam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O manual de instruções termina avançando da normatização das condutas para a proposição de sanções aos infratores. Diz ele que as cotas raciais, assim como a elegia a esse racismo negro, são uma ameaça concreta que precisa ser abortada no berço.(...) E viva Paulinho da Viola — meio negro, meio branco. Portanto, decreta o autor que sejam abolidas as cotas, e seus defensores sejam condenados ao degredo. Restabeleça-se a ordem celebrando-se aqueles que ele, do alto de sua autoridade, institui serem meio-brancos, meio-negros, como o faz com Paulinho da Viola e, de preferência, cantando D. Ivone Lara: Um sorriso negro, um abraço negro traz felicidade. Nóis sofre mas nóis goza, é a última lição. Essa é a democracia racial que agrada a Luiz Nassif, que não se constrange em lançar mão do nome de negros estimados por todos para confrontar os negros rebeldes. Aliás, a fórmula de tentar combater negros opondo-lhes outros negros, tem sido uma das estratégias do racismo brasileiros, uma das invenções mais eficazes dos senhores de engenho de antão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nassif não tomai o santo nome desses negros dos quais nos orgulhamos em vão. Se, porventura, eles lhes permitem isso (o que eu não acredito), nós não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sueli Carneiro - Doutora em Educaçao - Pesquisadora do CNPq e diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115267030674750187?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115267030674750187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115267030674750187' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115267030674750187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115267030674750187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/vejam-que-paralelo-interessante.html' title='Vejam que paralelo interessante'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30988165.post-115266837036707419</id><published>2006-07-11T21:07:00.000-04:00</published><updated>2006-07-11T23:27:11.593-04:00</updated><title type='text'>Entrevista sobre o caso Kramer</title><content type='html'>Esta entrevista foi originalmente publicada no site &lt;a href="http://www.afropress.com"&gt;www.afropress.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Agradecemos ao companheiro Dojival Vieira, Jornalista responsável pelo site e grande apoiador das pessoas que têm sido vítimas de racismo na Universidade de Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Racismo na UnB&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- 10/7/2006 Estudantes da Universidade de Brasília se reúnem nesta segunda-feira, 10/07, com o Reitor Timothy Mulholand, para discutir casos recentes de racismo na Universidade. Gustavo Amora, do Instituto de Ciência Política, fala a Afropress sobre os casos. Veja a entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Afropress:&lt;/strong&gt; Gustavo, o que está acontecendo na UnB e qual será o tema da conversa com o Reitor? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gustavo Amora:&lt;/strong&gt; São situações comuns nas universidades brasileiras. O fato é que a entrada dos estudantes cotistas nas universidades descortinou estes fatos para a sociedade. É como se o resto do Brasil estivesse agora desvendando uma universidade que nunca havia sido colocada em xeque anteriormente. A UnB foi descortinada e o espetáculo de racismo assusta! Antes das cotas, a UnB era um retrato da universidade pública típica do Brasil. Por trás da arrogância se escondia uma universidade elitista, racista e com pouca qualidade. Mas com a entrada dos estudantes cotistas e o fortalecimento do debate sobre racismo aqui na UnB, está começando a se criar um grande choque de posições porque os estudantes negros não estão dispostos a aceitar o padrão de racismo que a universidade quer impor.De um lado temos o grupo de sempre, pessoas racistas, entre professores e estudantes, que se escondem na mediocridade do suposto mérito acadêmico. E a sociedade, que nos financia, imagina que a qualidade reina neste espaço. Mas o triste é descobrir que muitos racistas de plantão utilizam este espaço para defender, sob a ótica do academicismo, suas teses racistas. O caso da sociologia é um exemplo disto. O caso que estamos enfrentando na Ciência Política também, um professor utiliza a sala de aula para defender teses racistas e se referir aos negros pelo termo “criolada”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Afropress:&lt;/strong&gt; Fale mais sobre este caso do Instituto de Ciência Política.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gustavo:&lt;/strong&gt; A situação foi a seguinte, no primeiro dia de aula do Mestrado em Ciência Política, fui surpreendido por um professor que utilizava o termo “criolos” ou “criolada” a todo o momento em que se referia a população negra. Indignado com o fato, enviei um e-mail cobrando mais respeito com a população negra e marcando minha posição de que não iria admitir aquele tipo de comportamento dentro de sala de aula. Prontamente este professor me respondeu o e-mail se desculpando pelo ocorrido. Eu me dei por satisfeito, até porque você bem sabe que o racismo no Brasil é algo cotidiano e poucos têm oxigênio suficiente para reagir a todas as ofensas que sofrem diariamente, sejam veladas ou não. Por outro lado, este professor se mostrou contumaz na sua prática e reincidiu, na mesma semana, durante uma banca de avaliação de candidatos a professor do Instituto de Ciência Política. No momento em que uma candidata se referiu a supostas “passagens negras” do autor Thomas Hobbes, ele a interrompeu com o seguinte comentário: “Passagens negras não; diga passagens obscuras, afinal, você sabe que essa criolada está por aí de olho”. É preciso contextualizar este comentário com o fato de que a UnB é a primeira Universidade Federal a adotar o sistema de cotas para negros, ou seja, esta “criolada” que ele se refere são os estudantes negros que agora estão inseridos na UnB e que não vão mais aceitar padrões de comportamento racistas dentro da Universidade. Diante deste desrespeito, presenciado pela Diretora do Instituto e pelo Coordenador da pós-graduação, este professor rompeu todas as barreiras daquilo que é aceitável, principalmente se estivermos falando de um espaço universitário. Aquilo para mim foi o sinal de que alguma atitude deveria ser tomada. Neste sentido o nosso grupo apresentou a denúncia formalmente à direção do Instituto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Afropress:&lt;/strong&gt; E como surgiu este grupo de estudantes que apresentou a denúncia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gustavo:&lt;/strong&gt; Foi algo muito natural, pois quando isto tudo aconteceu, algumas pessoas comentaram entre si a situação, e acabamos nos reunindo para discutir esta questão. O resultado foi que um grupo de sete estudantes, muitos dos quais mal se conheciam, acabaram se organizando no sentido de enfrentar o desgaste de denunciar o racismo e prepararam um documento a ser entregue ao Instituto. A formação deste grupo é um fato singular para a universidade porque somos todos(as) estudantes de Mestrado. Isto é raro em uma universidade. Normalmente estudante de Mestrado aparece na universidade apenas para assistir aulas e entregar trabalhos, preferem se concentrar nas suas vidas profissionais. Nós, por outro lado, estamos colocando nossas vidas profissionais de lado para nos dedicarmos a esta causa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Afropress:&lt;/strong&gt; Como é que a Universidade tratou até agora as denúncias?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gustavo:&lt;/strong&gt; Da pior forma possível. Fomos tratados como baderneiros pelo Instituto. Fomos acusados de tudo: politicamente corretos, patrulhadores ideológicos, inimigos pessoais do professor. Disseram que não aceitamos a diversidade de opiniões dos professores. Mas o que mais me atingiu foi que, pelo fato de eu ser o único estudante negro do grupo, as pessoas me colocam como se eu fosse o incentivador da indignação. Além disso, fui acusado (como se isto fosse acusação) de ser um estudante militante e por isto eu não deveria ser levado a sério. Eles estratificam os estudantes entre militantes e pessoas normais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Afropress:&lt;/strong&gt; E qual deveria ser a postura da Universidade, na sua opinião?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gustavo:&lt;/strong&gt; O óbvio é que respeitassem as pessoas dentro do espaço acadêmico. É o professor saber que, mesmo no auge da sua arrogância acadêmica, ele não está acima das leis brasileiras e da Constituição. Às vezes eu até me pergunto, será que racismo é crime mesmo? Porque os absurdos que estão sendo denunciados na UnB hoje não restam dúvida sobre o que é racismo. Mas a universidade é totalmente refratária a nossa postura. Eles chegaram ao cúmulo de tentar desqualificar nossa denúncia com supostos padrões de rigor formal que não utilizamos. A única coisa que pode desqualificar uma denúncia é faltar com a verdade, mas o nosso caso já está provado. Isto reflete o desinteresse em nos levar a sério.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Afropress:&lt;/strong&gt; Que medidas a UnB tomou formalmente neste caso&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gustavo:&lt;/strong&gt; O Carlos Machado, um dos membros do grupo, fez uma constatação muito interessante. Segundo ele toda vez que se fala da situação do professor, se busca uma alternativa informal, uma conversa reservada, um “deixa disso”, mas quando a questão é nossa situação ou nossas demandas, eles se utilizam de todos os artifícios que a burocracia oferece para inviabilizar qualquer tomada de decisão. Eles chegaram ao absurdo de dizer que não importa o que o professor faça dentro ou fora de sala que eles não possuem autoridade para retirar um professor de sala de aula. Nós pedimos oficialmente ao Colegiado da Ciência Política que eles afastassem o professor e averiguassem o caso porque além de crime, isto é uma falta grave, passível de demissão do servidor público. A decisão do colegiado foi no sentido de conversar com o professor para que ele se afastasse da turma ou, caso ele não se afastasse, a medida cabível seria a de criar uma segunda turma para as pessoas que estivessem se sentindo incomodadas. Mas eles acabaram descumprindo a decisão e nada fizeram quanto ao caso, nos obrigando a voltar para a sala de aula. Afropress: E como foi o reencontro com o professor?Gustavo: Ele não quis conversar conosco. Preferiu utilizar o espaço da sala de aula onde ele é soberano para desferir uma série de injurias, nos agredindo e, no meu caso, o único negro da turma, me chamou por diversas vezes de “negro racista” e “Klu Klux Klan negra”. Sobre ter chamado os estudantes negros de “criolada” ele argumentou que não vai parar, nem que para isto ele tenha que entrar com um mandato de segurança em sala de aula que lhe permita isto. É importante salientar que este professor que está sendo acusado de racismo na Universidade de Brasília é um dos signatários da carta dos intelectuais contra as cotas, isto mostra um retrato de alguns opositores desta política, intelectuais racistas que não aceitam a entrada de estudantes negros nas universidades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Afropress:&lt;/strong&gt; E qual foi a reação do Reitor Timothy Mulholand, que é um grande defensor das ações afirmativas, diante deste caso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gustavo:&lt;/strong&gt; Ele será a nossa última esperança para resolver esta situação institucionalmente. Nós confiamos que ele vá fazer valer o respeito que tem dentro e fora da UnB e não colocará esta denúncia em uma gaveta da reitoria. Além disso, estamos confiantes em algum tipo de proteção institucional por parte da universidade porque até agora nosso grupo está totalmente vulnerável a retaliações, os estudantes que possuem bolsas estão preocupados com a possibilidade de reprovação, o que significaria a perda imediata da bolsa de estudos. Na última semana, após os ataques violentos que sofremos ao voltar para a sala de aula, nos foi ofertada a concessão dos créditos da disciplina como forma de não sairmos prejudicados pelas atitudes do professor. Nós julgamos que a medida é um passo do IPOL no sentido de nos proteger, mas não acreditamos que isto venha a se concretizar caso a gente leve o caso as últimas conseqüências. Além disso, a concessão dos créditos não vai reparar o dano que nos foi feito pelas atitudes do professor e pode gerar uma imagem de que nosso interesse era fugir da disciplina, o que vai contra todas as nossas demandas por uma universidade de qualidade e que respeite seus estudantes. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30988165-115266837036707419?l=unbsempreconceitos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/feeds/115266837036707419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30988165&amp;postID=115266837036707419' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115266837036707419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30988165/posts/default/115266837036707419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://unbsempreconceitos.blogspot.com/2006/07/entrevista-sobre-o-caso-kramer.html' title='Entrevista sobre o caso Kramer'/><author><name>unbsempreconceitos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
